Em meio a uma noite quente de um sábado confuso resolvo, após alguns impulsos, tentar fazer certos apontamentos sobre este troço complicado e ao mesmo tempo mágico, chamado vida. Confusão, planos, sentimentos, saudades, indignação, esperança dentre outros conceitos semelhantes e/ou antagônicos tem feito parte do meu cotidiano ultimamente, e se colocado como elementos componentes da dinâmica desta vida. O ato de transpor para o plano escrito certas sensações e percepções deste mundo, vividas ou não, constitui-se numa tarefa de tamanha responsabilidade e requer, às vezes, uma capacidade de diálogo e extrema delicadeza no uso e emprego de certos conceitos e expressões, pois elas vão construir as situações vividas em destaque, ao mesmo tempo em que vão reconstruir no plano imaginativo do outro tais situações já carregadas de subjetividades. Portanto, exige-se, para tanto um cuidado, no sentido de ser no mínimo inteligível, tendo a noção que ao tratar de situações da vida, que tem uma lógica própria, dada através do cotidiano, um campo de possibilidades pode recair sobre as mesmas, sem, contudo perder o sentido que os delimita.
Tenho há algum tempo refletido sobre a felicidade, a tão sonhada felicidade que todos/as almejam, ao mesmo tempo me questionando sobre qual felicidade é essa que queremos? Sem conseguir ainda responder a certos questionamentos, cheguei a um entendimento parcial, mas que constitui-se enquanto essencial ao ser humano de que “a gente nasceu é pra ser feliz” e que devemos ter isto como projeção de vida. Penso que às vezes ficamos aguardando uma felicidade palpável, que estará imune e nos dará imunidade quanto aos desdobramentos e complicações da vida. Uma felicidade que por ser tão plena, dará conta de resolver todos os problemas criados e perpetuados pelo próprio ser humano. Uma felicidade que por ser mágica, nós a obteremos com base no nosso merecimento, após o acumulo de sofrimentos. Enfim, um estado que para uns está colocado em outro plano, mas que para outros tem/pode/deve ser construído ou sistematizado neste mundo, se e somente si o ser humano passar a se questionar sobre seus valores e como os empregam na dinâmica da vida.
Tais reflexões partem de um questionamento maior acerca do sentimento do mundo, e necessariamente das pessoas que o compõe. Muitas inquietações surgem, e ficam sempre várias reticências ao tentar respondê-las. A partir desta tentativa de entendimento do ser humano é que se aglomeram conceitos de várias ordens, da confusão à esperança, e as situações cotidianas servem em muitos casos para reforçá-los. A minha percepção é que temos guardado uma confusão, sim uma confusão delimitada historicamente, mas com a extrema esperança que o tempo será responsável por dirimir ou nos responder certas questões fundamentais para um exercício melhor. O que se conclui é que as pessoas estão cada vez mais delegando ao outro as responsabilidades, e com isso ficando efêmeras para consigo e com os outros. Indivíduos que não se questionam quanto à resolução e/ou entendimento de suas próprias questões.